Sexo masculino, 32 anos. Recorre ao serviço de urgência de um hospital e é diagnosticado com uma doença que requer repouso permanente, elevação dos membros inferiores, medicação injectável a horas fixas e análises frequentes.
Atitudes?
- Alta para a rua com indicação de drenagem postural dos membros (em cima de um caixote do lixo).
- Carta para o médico assistente (não tem nem está perto de o ter).
- Injectáveis - OK - pode sempre pedir a um colega toxicodependente para administrar a medicação mas ... oops ... não é endovenosa, é subcutânea, e agora?
- Carta para entregar no serviço de análises clínicas às x horas de y dia. Sim, é porreiro, se ao menos o pobre o homem pudesse ler!
- Mais, toxicodependente. Onde? Quando? Quem?Porque? Bem o porquê é fácil: dorme na rua e tem ar de "maltrapilho"
Assim vai o nosso pais e a nossa saúde.
As necessidades das pessoas são descuradas face à sua condição e aparência.
Estejam descansados. Foi preciso um dia inteiro de trabalho e 3 elementos da equipa a trabalharem intensivamente para a situação ter um final com dignidade. Meia elástica, muleta, medicação administrada a tempo e horas, companhia para a realização das análises, um quarto para dormir enquanto a saúde não estabilizar, 3 refeições servidas. Nada mal!
vul.ne.rá.vel adjectivo. Que se encontra susceptível ou fragilizado numa determinada circunstância
Quem nunca se sentiu? Quem nunca viu alguém?
Este blog trata disso mesmo de pessoas que são, foram, estão vulneráveis.
Somos nós, eles e ainda os outros.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
domingo, 15 de abril de 2007
5 ANOS
5 anos decorreram desdes que começamos com a nossa aventura no voluntariado.
5 anos de aventuras, principalmente com o nosso meio de transporte.
5 anos de esperança, que tentamos de algum modo incutir nos outros.
5 anos de novidades. Porque todos os anos as novidades surjem para tornar a nossa intervenção mais e melhor.
5 anos de mudança, porque foram muitas as fases de mudança pelo qual já tivemos de passar.
5 anos de partilhas, entre voluntários e utilizadores.
5 anos de alegrias, quando nos deparamos com um sorriso aberto que espera por nós.
5 anos de tristezas, quando apesar de todos os esforços de todos vemos alguém partir ...
5 anos de desafios, batalhas travadas, inovação, avanços e retrocessos, crescimento, maturidade e de partilha.
5 anos de credibilidade.
5 anos ÚNICOS.
Parabéns a todos nós!!
5 anos de aventuras, principalmente com o nosso meio de transporte.
5 anos de esperança, que tentamos de algum modo incutir nos outros.
5 anos de novidades. Porque todos os anos as novidades surjem para tornar a nossa intervenção mais e melhor.
5 anos de mudança, porque foram muitas as fases de mudança pelo qual já tivemos de passar.
5 anos de partilhas, entre voluntários e utilizadores.
5 anos de alegrias, quando nos deparamos com um sorriso aberto que espera por nós.
5 anos de tristezas, quando apesar de todos os esforços de todos vemos alguém partir ...
5 anos de desafios, batalhas travadas, inovação, avanços e retrocessos, crescimento, maturidade e de partilha.
5 anos de credibilidade.
5 anos ÚNICOS.
Parabéns a todos nós!!
domingo, 1 de abril de 2007
Família
Esta semana tivemos que fazer algumas mudanças nas nossas instalações.
Infelizmente alguns colegas não puderam colaborar. No entanto, foi interessante reparar que os que o fizeram (alguns) contaram com a ajuda dos seus familiares.
Não deixa de ser interessante...
Nós que trabalhamos com a população mais vulnerável da cidade temos alguma dificuldade em lidar com a pressão da nossa família.
É pertinente que os nossos familiares queiram o melhor para nós. Sendo que o melhor será um trabalho estável e algum tempo de lazer e de convívio com eles. Logo aí se coloca um entrave - o tempo investido no trabalho de voluntariado.
Já repararam que enquanto voluntários todos clamam a nossa atenção? São os coordenadores dos projectos, os utilizadores, os outros voluntários, os amigos, a família, etc.
Temos de saber gerir muito bem o nosso tempo e a nossa motivação. Temos de lidar com os conflitos inter e intra-pessoais e com a família.
Se por um lado nos apoio e se orgulha do facto de estarmos a exercer uma actividade de voluntariado, por outro cobra-nos mais atenção e disponibilidade de tempo.
É muito complicado para nós lidar com estas questões mas no final - vale sempre a pena.
Vale a pena uma noite mal dormida (depois de termos contactado com a realidade nua e crua dos outros...)
Vale a pena o frio e a chuva (quando em troca recebemos um sorriso aberto)
Vale a pena a confrontação (e ver o outro repensar as suas prioridades)
Vale a pena deixar estar ... (porque um dia, alguém se vai lembrar do que dissemos ou fizemos e vai tentar agir).
Sem a estabilidade e o apoio da família seria muito complicado termos a força suficiente para continuarmos com esta actividade, tantas vezes exigente.
À nossa família,
Obrigada
Infelizmente alguns colegas não puderam colaborar. No entanto, foi interessante reparar que os que o fizeram (alguns) contaram com a ajuda dos seus familiares.
Não deixa de ser interessante...
Nós que trabalhamos com a população mais vulnerável da cidade temos alguma dificuldade em lidar com a pressão da nossa família.
É pertinente que os nossos familiares queiram o melhor para nós. Sendo que o melhor será um trabalho estável e algum tempo de lazer e de convívio com eles. Logo aí se coloca um entrave - o tempo investido no trabalho de voluntariado.
Já repararam que enquanto voluntários todos clamam a nossa atenção? São os coordenadores dos projectos, os utilizadores, os outros voluntários, os amigos, a família, etc.
Temos de saber gerir muito bem o nosso tempo e a nossa motivação. Temos de lidar com os conflitos inter e intra-pessoais e com a família.
Se por um lado nos apoio e se orgulha do facto de estarmos a exercer uma actividade de voluntariado, por outro cobra-nos mais atenção e disponibilidade de tempo.
É muito complicado para nós lidar com estas questões mas no final - vale sempre a pena.
Vale a pena uma noite mal dormida (depois de termos contactado com a realidade nua e crua dos outros...)
Vale a pena o frio e a chuva (quando em troca recebemos um sorriso aberto)
Vale a pena a confrontação (e ver o outro repensar as suas prioridades)
Vale a pena deixar estar ... (porque um dia, alguém se vai lembrar do que dissemos ou fizemos e vai tentar agir).
Sem a estabilidade e o apoio da família seria muito complicado termos a força suficiente para continuarmos com esta actividade, tantas vezes exigente.
À nossa família,
Obrigada
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